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Futuro Incerto

José Mendes de Oliveira

21 de maio de 2026

Foi por volta de 1969 ou 1970, já não me recordo com precisão, quando realizava o curso primário em uma escola pública no Distrito Federal, que tive contato com um clássico da literatura infantojuvenil, escrito por Érico Veríssimo em 1937: As Aventuras de Tibicuera. Naquela época, tínhamos como atividade regular a realização da leitura de, pelo menos, duas obras literárias brasileiras por ano. Portanto, uma para cada semestre. Estávamos em pleno regime militar e a escola, como instituição pública e aparato ideológico, não passava incólume aos ares autoritários da ocasião. Confesso que a leitura nem sempre era prazerosa, porque não vinha como um convite, mas como obrigação atrelada a tarefas e prazos.

 

Pouco guardei na memória sobre o conteúdo, que, hoje, consigo recuperar graças a uma resenha descritiva encontrada em algum lugar. Trata-se, então, da estória de um índio tupinambá, nascido fraco e feio em 1492, cujo nome é Tibicuera (cemitério), que adquire a imortalidade por intermédio de um pajé e, nessa condição, percorre a história do Brasil da fase pré-cabralina até a década de 1930. De certa forma, naquela época, tive a intuição, acertada ou não, de que Tibicuera era a construção metafórica (ou seria alegórica?) do próprio país. Pois bem, não preservei muitas lembranças das aventuras da personagem imortal, mas nunca me esqueci da capa do livro publicado pela Editora Globo. Lá se encontrava a figura de um indiozinho esquálido, barrigudo e de tanga, assustado com o gigantismo da própria sombra projetada à sua frente.

 

Não sei o nome do artista que produziu aquela capa, mas, com certeza, ele conseguiu traduzir uma dimensão da personagem forte o suficiente para ficar gravada na memória de uma criança até a vida adulta. Impressionava-me o fato de que a sombra de Tibicuera era projetada em tamanho descomunal à sua frente, não ao seu lado ou próximo de seus pés. Pressupõe-se que o sol estivesse à sua retaguarda e, portanto, incidindo sobre o seu caminho.  Fiquei com a impressão de que havia naquela imagem, de forma consciente ou não, a expressão da crença de um país raquítico que se projeta no futuro como algo muito grande, ou seja, algo com um amanhã muito promissor.

 

Muitos anos depois, já na minha juventude, li o livro do escritor judeu-austríaco Stefan Zweig, cujo título tornou-se um qualificativo nacional - Brasil, país do futuro -, e, por algum motivo, lembrei-me do Tibicuera de Érico Veríssimo. Nada a ver com o conteúdo, em um primeiro instante, mas com o período histórico em que as duas obras foram criadas. Ambas foram publicadas durante o Estado Novo varguista, que foi marcado pelo autoritarismo, centralização do poder, censura e expressões nacionalistas. A obra de Veríssimo é considerada, pela maioria dos resenhistas, como uma obra anti-ufanista, opondo à visão idealizada do país pela propaganda governamental uma visão mais realista e crítica por intermédio da própria figura esquálida de Tibicuera, além da abordagem das tensões e conflitos da sociedade brasileira vivenciadas pela personagem.

 

A perspectiva é diferente no que se refere à obra de Zweig, que pode ser considerada em função do contexto de refúgio do próprio autor, ou seja, Zweig teria resvalado o ufanismo em função da condição de um refugiado do nazismo, que teria encontrado no Brasil um país mais acolhedor e mais tolerante. Tal fato teria impedido o escritor de enxergar as mazelas do país e o contexto político da ditadura varguista. De qualquer forma, e por algum motivo, a capa do livro de Veríssimo me inquietava, e não conseguia me desprender da sombra do indiozinho. Embora a gravura traduzisse um trecho da própria obra, quando Tibicuera ainda criança depara-se com sua sombra, na capa a imagem parecia ser uma representação hiperbólica se comparada à descrição no texto. Perguntava-me se aí também não teríamos alguma expressão de encanto ou deslumbramento com as possibilidades futuras do país.

 

Não pretendendo supor que fosse a intenção do escritor ou do desenhista, tomei para mim, com a liberdade audaciosa e nem sempre adequada do leitor, a impressão de que a imagem traduzia a projeção metafórica (ou alegórica?) de algo pretensioso para o futuro. Em outras palavras, intencionalmente ou não, associei a sombra descomunal a uma outra imagem: a do gigante dormindo em berço esplêndido.  E a partir daí acabei retornando à ideia de Zweig de um país do futuro. Guardadas as diferenças entre as obras, parece-me que há nas Aventuras de Tibicuera a aceitação positiva, ainda que implícita, de um processo civilizatório na trajetória da própria personagem de acordo com os padrões da cultura ocidental, assim como há a promessa de uma grande nação na obra de Zweig, baseada na congregação de diferentes povos em harmonia social, capaz de lidar com as falhas da civilização ocidental.

 

Admitido esse viés, é como se Tibicuera traduzisse a própria trajetória do país, ainda que de forma conflitiva, em sua caminhada em direção ao projeto civilizatório ocidental, ao passo que em Zweig esse mesmo país se coloca como alternativa para as contradições ou paradoxos desse projeto, a exemplo do que foi o fascismo e o nazismo na Europa. Em outras palavras, poderíamos encontrar em Zweig a projeção utópica do futuro de Tibicuera. Porém, em verdade, a utopia se complica quando inserimos o indiozinho e suas aventuras no contexto mais amplo da própria história ocidental. A caminhada de Tibicuera enraíza-se, assim como a sociedade em que se insere e da qual é expressão, no expansionismo mercantilista europeu, no colonialismo, no escravagismo e nos tropeços de uma república instável. Tudo isso determinado pela lógica do expansionismo e da exploração, que marcaram as bases do desenvolvimento do capitalismo ocidental.

 

O processo civilizatório de Tibicuera e de seu país já estava comprometido desde o início e a possibilidade da utopia sonhada por Zweig nunca foi viável, sequer como projeto político a ser construído em algum momento futuro. A sociedade que vingou, com todas as suas mazelas – injustiça social, exclusão, racismo, violência e poder discricionário de elites autocráticas – é o resumo de inúmeros problemas estruturais e históricos que nunca foram enfrentados de forma revolucionária, ou seja, com mudanças profundas e duradouras na arquitetura social. Talvez seja por isso, e muito por isso, que o país alterne na esfera política entre os fundamentos da democracia liberal burguesa e a mudança da ordem constitucional por intermédio de atos coercitivos e violentos.

 

A personagem de Veríssimo parece chegar à vida madura na década de 1930 como um pequeno burguês: um homem pacato, discreto no vestir e no falar, amigo do sossego, além de adepto das leituras e da escrita, ou seja, de certa forma um intelectual. Certamente um intelectual insatisfeito com as contradições de seu país, o que fica bastante evidente no lapso de ilusão em que julga enxergar Anchieta e em que manifesta o desejo de ter o retorno da catequese, tendo em vista que ainda há selvagens a ser instruídos, apesar da modernidade traduzida pelos arranha-céus, aviões e rádio. Tudo indica que o indiozinho esquálido conseguiu dar um salto sobre a sua própria sombra, quando abandona sua veia aventureira e se lança aos livros como expressão civilizatória, mas isso só serve para torná-lo mais consciente de que a pirueta para a modernidade não se cumpriu nos mesmos termos da utopia iluminista.

 

Prefiro imaginar que Tibicuera usa com ironia a ideia de selvagens que ainda precisam ser catequizados, ou seja, o uso da palavra não se confunde com os rótulos da irracionalidade e incivilidade estabelecidos no contexto da dominação colonial em relação aos povos originários, mas parece fazer referência à noção de selvageria como expressão da ferocidade, da violência e desumanidade que não desaparece necessariamente com os refinamentos dos costumes nem com as facilidades das tecnologias. Provavelmente, foi a constatação da inerência desse tipo de selvageria no interior do espírito moderno europeu, que conduziu Zweig e sua esposa, Elisabeth Altmann, à opção pelo suicídio no ano de 1942. O desânimo e a frustração com a constatação de que o nazismo avançava na Europa foi o motivo dessa decisão extrema. A crueldade do presente, e provavelmente a constatação da irracionalidade reinante no seio da civilização, superou o entusiasmo com a possibilidade de uma utopia humanista nos trópicos.

 

Essa talvez seja a grande contradição do projeto civilizatório legado do século XVIII. A utopia iluminista de uma sociedade guiada pela razão, pela ciência e pelo progresso talvez nunca tenha superado totalmente a condição de apenas um ideal filosófico e político. No decorrer dos séculos, a razão sucumbiu à irracionalidade inúmeras vezes, a ciência foi reduzida a seu viés mais positivista e acrítico e o progresso não transcendeu o avanço desregrado das tecnologias. A utopia da superação da ignorância e do fanatismo em prol de um mundo de mais liberdade, tolerância e igualdade de direitos foi contundentemente negada pelos fatos nos séculos que precederam a ascensão da sociedade burguesa e, principalmente, naqueles que tiveram como marca a sua hegemonia.  O século XX, por exemplo, reuniu a maior quantidade de conflitos na história da humanidade, com duas grandes guerras mundiais, inúmeros conflitos regionais, guerras civis e de independência, além de uma guerra fria que dividiu o mundo durante os anos de 1947 a 1991. O atual século não prenuncia algo muito diferente: a tentativa de sobrevida dos EUA como hegemon, a sanha fundamentalista israelense e a russofobia europeia podem conduzir o mundo para um cenário tenebroso.

 

A imortalidade de Tibicuera ficou condicionada à historicidade do seu criador, mas, hipoteticamente, se chegasse até nossos dias, o índio tupinambá estaria atônito. Teria que lidar com um mundo repleto de contradições, tomado pela ignorância, pelo autoritarismo e pelo fanatismo religioso. Além do dístico anacrônico da flâmula brasileira, que estampa a ordem e o progresso do positivismo com hilária seriedade, não encontraria qualquer outro vestígio mais significativo como legado de um projeto iluminista. Ficaria talvez desconcertado com a emergência da boçalidade pelo mundo afora e principalmente no Brasil. Tibicuera seria obrigado a desdobrar sua capacidade analítica para compreender a dissonância cognitiva, que se acentua com o avanço do fundamentalismo religioso neopentecostal associado de forma perversa e distorcida ao neofascismo da extrema-direita brasileira.

 

O índio civilizado seria obrigado a buscar uma explicação para a grande influência das tecnologias informacionais na vida das pessoas e o papel que exercem na expressão do ressentimento de uma plebe rude, empoderada pela própria ignorância alçada à condição de verdade, que não podia, por inúmeras razões de ordem estrutural e histórica, participar da vida pública antes da emergência das mídias sociais. Talvez Tibicuera concluísse que o levante dos beócios, que negam a ciência, mas adotam as tecnologias, que clamam pelo socorro de extraterrestres, rezam para pneus e, atualmente, bebem detergente em nome de uma causa político-ideológica, além de decorrer de possíveis desarranjos cognitivos, fosse também fruto de uma sociedade em que a educação e a cidadania, ainda que reduzidas a elementos de um projeto utópico, deixaram de ter qualquer significado de maior relevância.

 

Em verdade, há muito tempo, mas principalmente agora, o mundo tem dado provas de que o projeto iluminista não cumpriu todas as suas promessas, principalmente no que se refere à sua dimensão ética e humanista. Corro o risco de dizer que, desde os anos de 1930, ele tem sido sistematicamente corrompido e manipulado de forma mais agressiva. Nesse sentido, parece ser muito coerente as análises da Escola de Frankfurt, quando constatam que a razão já não é mais a garantia natural da emancipação. Na sociedade burguesa ocidental a razão foi posta em cativeiro e instrumentalizada para servir ao cálculo, à eficiência e ao lucro. A ciência e a técnica tornaram-se instrumentos de dominação e controle social. Retirar a razão de seu cativeiro e retomá-la como razão crítica talvez seja o maior desafio de nossa época. Esse processo é essencial, como propugnava Max Horkheimer, para que se possa refletir e questionar sobre a realidade social e as estruturas de poder. Em outros termos, ela é fundamental para se compreender a dinâmica e as contradições do sistema de produção capitalista, que, de muitas maneiras, tem a capacidade de fagocitar e esterilizar tudo o que considera potencialmente nocivo à sua existência. O Toque de Midas do capital pode ser a promessa de vantagens, lucros e prosperidade, mas também a paradoxal impossibilidade de se manter a vida. 

 

A lembrança das aventuras de Tibicuera, o conceito de país do futuro de Zweig e a imagem do gigante deitado em berço esplêndido voltou a mim recentemente, quando assisti apalermado os adeptos da extrema-direita bolsonarista ingerindo detergente contaminado. Creio que a lembrança ressurgiu em função do conceito de processo civilizatório e de sua relação com a realidade brasileira. A forma como esse conceito surge nas obras de Veríssimo e Zweig talvez não seja muito evidente e certamente não parece ter o mesmo sentido como já antecipei em outro parágrafo. Percebo que em Zweig é fonte de uma frustração com os rumos que tomou o que ele mesmo definiu como o delírio europeu de nacionalidades e raças, ao qual opôs de forma utópica o já desacreditado mito da democracia racial brasileira, e em Veríssimo é o destino de um índio aculturado, mas também de um país que, não obstante suas contradições, progredia até a década de 1930 com notáveis estadistas, cientistas, escritores e artistas, segundo a concepção do literato. Fiquei e continuo intrigado sobre o que diria Tibicuera hoje, observando o avanço do obscurantismo, a falência dos estadistas e o denegrimento de cientistas, escritores e artistas em solo brasileiro, além do que representam evidentemente os surpreendentes bebedores de detergente.   

 

Imagino que nem a catequese nem os livros constituam hoje respostas ou remédios para conter a selvageria que incomodava Tibicuera em 1930, ou a boçalidade que incomoda alguns entre nós nos dias de hoje, sem o resgate da criticidade ou da razão crítica à qual fiz referência anteriormente. Há sempre, obviamente, a possibilidade da adoção da alternativa de Zweig como uma desesperada opção pessoal, mas, para quem ainda acredita em utopias, talvez ainda exista a alternativa de redefinir o processo civilizatório e isso implica colocar em discussão o sistema de produção capitalista e suas contradições. Não adianta demonstrar a ojeriza à injustiça social, à violência e à burrice pandêmica, que é funcional para a reprodução do sistema, por intermédio de memes e de outras expressões da cultura digital de forma acrítica. Essa cultura também fagocita, manipula e entorpece. É preciso que sejamos o chato na sala, que, a exemplo da criança, não abandona a impertinência dos porquês, nem a inevitável sinceridade em apontar que o rei está nu.

 

É provável que a trajetória civilizatória de Tibicuera o tenha conduzido à situação de um pacato pequeno burguês (seria essa a sina da maioria dos intelectuais?), acomodado demais para ir além das comodidades do status quo, e por isso só lhe tenha restado a saudade de Anchieta e da ação catequizadora dos jesuítas. Mas, se aqui estivesse nos dias de hoje, é possível que apelasse para algo mais radical. Embora a catequese possa ser traduzida como qualquer forma de instrução, sua inserção no espaço religioso a comprometeu politicamente e, na polarização de hoje, certamente, seria disputada pelos ogros do obscurantismo. É preciso questionar não só as ideias e as formas da reflexão, mas também as práticas e as inações. Desejo acreditar, portanto, que o resgate da razão crítica possa ainda nos salvar, desde que ela seja colocada a serviço da construção de um novo sujeito social capaz de, pelo menos, interpretar a realidade para além das aparências, trazer para o plano objetivo as engrenagens que movimentam os interesses e as relações de poder, que nos tem conduzido, no mundo e no Brasil, ao autoritarismo e à barbárie.

 

Há urgência na compreensão de que o sistema capitalista moderno, nascido e disseminado a partir de sua matriz europeia, tem se alimentado, no decorrer da história, da exploração econômica, da expansão militar e de incontáveis injustiças que envolvem pobreza, guerras e genocídios. Tudo isso ocorre sob o falso argumento de um processo civilizatório, que prometia desenvolvimento econômico e progresso, tendo como base a retórica de um universalismo de valores cuja maior expressão seria a democracia e os direitos humanos. O que fica evidente na atualidade é que esse discurso ou essa superestrutura ideológica tem servido unicamente como argumento reativo para justificar intervenções, agressões e o cerceamento de direitos dentro e entre as nações. O que deveria ser o ideal construtivo tornou-se combustível para a racionalização das arbitrariedades e exercício da dominação particularmente nas sociedades ocidentais.

Por enquanto, não vejo outra saída a não ser o resgate da educação e do conceito de formação defendida pelos frankfurtianos, ou seja, voltada à escola e à educação comprometidas com a autonomia e a reflexão crítica. Pode ser frágil e até questionável a alternativa, tendo em vista que a concepção institucional do espaço do ensino pode estar presa às engrenagens do sistema, mas sem o incentivo ao pensamento crítico e dialético dificilmente será possível enxergar as contradições que assolam as sociedades contemporâneas, inclusive a brasileira. Portanto, ainda que de forma utópica, precisamos apostar na escola e nos educadores, a exemplo do que fizeram Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, como elementos cruciais para uma transformação social que possa delinear um futuro mais assertivo e deter a caminhada para o abismo.

Nesse sentido, talvez possamos nos juntar ao clamor catequético de Tibicuera, mas na defesa de um conceito laico de catequese, mais próximo de uma etimologia que nos permita compreendê-la como a ação capaz de fazer ecoar ou soar nos ouvidos entorpecidos uma mensagem mais autêntica de autonomia e de disposição para a construção de um mundo melhor. Espero que os autointitulados progressistas da política brasileira percebam e consigam abraçar essa indispensável causa enquanto ainda há um pouco de esperança para a construção de um mundo mais integrativo e de uma ordem social mais justa. Para tanto, acredito ser fundamental que abandonem a tácita aceitação de que não há alternativa para a sociedade capitalista, como um dia pressupôs Francis Fukuyama, e que possam então resgatar os propósitos de um projeto revolucionário, que permita a quebra de paradigmas e a construção de um futuro mais alvissareiro.

 

Caso contrário, o vaticínio atribuído ao escritor Nelson Rodrigues se cumprirá com um desfecho inevitável: os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade, porque eles são muitos. Eu tomo a liberdade de acrescentar que, além de muitos, a sociedade capitalista tem o poder de multiplicá-los em escala exponencial. Daí a relevância e a urgência de uma razão que possa conter a barbárie útil à reprodução do sistema. Sem a crítica às engrenagens do sistema que transforma homens em zumbis, continuaremos assistindo as maluquices de bebedores de detergente, enquanto os cínicos, hipócritas, corruptos, imorais e facínoras assumem o timão ou leme de nossos desgovernos no Brasil e no resto do mundo. Na pior das hipóteses, entre os malucos de plantão, pode haver algum disposto a apertar um botão, ainda que seja por diversão, e aí então não haverá mais nada com que se preocupar, nem mesmo com a devassidão. 

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